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CIMEIRAS E OUSADIAS

Primeiro foi um e-mail a perguntar se não me sentia motivada a escrever sobre a cimeira entre entre os chefes de Estado das duas Coreias; depois mais outro perguntando o que pensava sobre o assunto. Ontem alguém manifestava a sua curiosidade sobre o meu silêncio sobre este momento importantíssimo. Por amabilidade respondi mais ou menos isto: "Ainda não vi nada, acho que a montanha pariu um rato, e quando um rato vem ao mundo traz sempre irmãos consigo". Ponto.

Mais do que isto?

Ok, reconheço que ficaram bem na fotografia.
Os parabéns à organização, impecável e sábia - o diabo esconde-se nos detalhes.
Acredito que o presidente Moon Jae-in, filho de refugiados da Coreia do Norte, homem com uma carreira dedicada aos Direitos Humanos,  esteja de boa-fé. É digno mas insuficiente.
O que eu queria mesmo saber? Aaaahhhh... O que disse o presidente Xi ao Kim-zinho nos dois encontros que tiveram. Isso é que eu gostava...


Passando à fase seguinte, dia 12 de Junho em Singapura... Será?
Para dizer a verdade estou-me completamente nas tintas, não acredito que alguma coisa positiva para o mundo daí resulte, se acontecer será o encontro de dois cabeçudos egocêntricos com objectivos pessoais muito concretos a marrarem um com o outro; a pergunta que se põe é quem levará a melhor, não é a estabilidade mundial ou o bem-estar dos povos que os move.


Sumariamente, a questão é sobre quem conseguirá enganar quem ou levantar-se primeiro para sair atirando culpas ao outro. Pela minha saúdinha que gostaria de não ter razão nesta parte mas é bem possível que a tenha colada a mim. Claro que muito depende do que Xi disse a Kim... e essa é a parte que eu gostava de saber agora para conjecturar com mais convicção.

Se eu fosse Trump... tinha dito que sim, com certeza, já lá vou mas deixemos os criados falarem entre si primeiro, estabelecerem uma lista de prioridades, de toma-lá-dá-cá, colocarem sobre a mesa o que haverá a digerir. Aquela pressa em apresentar-se ao mundo como O Único tipo capaz de resolver os imbróglios insolúveis para os mortais é um calcanhar de Aquiles permanentemente exposto.
A asneira está feita resta tentar dar-lhe a volta.
Se eu fosse Trump chegava e dizia: Kim, filho, vim cá para nos conhecermos, para iniciar uma relação amigável que, tenho esperança, seja proveitosa para todos mas a diplomacia é para os diplomatas, os detalhes técnicos para os especialistas e nós, líders, temos mais o que fazer. Espero que voltemos a encontrar-nos para assinar um amazing agreement como o mundo nunca viu e se quiseres telefona-me. 'Bora lá tirar umas fotos e beber uns copos a bem da paz e da amizade entre os povos.

Se eu fosse Kim... Ah, se eu fosse Kim vingava-me que nem um Little Rocket Men (se o presidente Xi deixasse, claro). Neste momento (amanhã já o filme pode ser outro)  Kim tem Trump onde quer, a sonhar com o Nobel da Paz (só falta essa...) e a querer demonstrar que é o Mestre na Arte de Negociar.
Trump disse  que sim avidamente, Kim pode jogar com isso a seu bel-prazer. A seu favor está também a geografia: Singapura é longe de Washington mas muito perto de Pyongyang, são tempos de vôo muito diferentes.
Pois se eu fosse Kim deixava Trump meter-se no Air Force One e depois não punha lá os pés. Até dava tempo para dar um saltinho a Singapura, deixar uma caixa de Mon Chérie na almofada do loiro e pirava-me, disfarçado de americana obesa, ainda a tempo de o ver chegar na reportagem da Fox News. Depois... bem, depois fazia o que melhor me servisse, como está demonstrado à saciedade, com estes dois nunca é tarde para dar o dito por não dito.

Mas isso era eu, que sou mázinha, Kim é um honorable men, diz o entendido.


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QUANDO O REVANCHISMO CAI SOBRE O MUNDO

O revanchismo de Trump é desmedido. Trump tem uma necessidade patológica de desfazer tudo o que Obama fez. Não, não senhores e senhoras que acham gracinha ao monstro, não é política nem, muito menos, ideologia, é revanchismo puro, nado e alimentado no âmago que uma maldade profunda que toca as raias da sociopatía.
Trump não governa a "fazer" mas a "desfazer", é uma metodologia eficaz.

Agora chegou a vez do Acordo com o Irão. Surpresa? Nenhuma.

Netanyahu já tinha estendido o tapete vermelho nesta última apresentação ridícula de teatralidade cheia de lombadas de dossiers e DVD's brilhantes



Este último fim de semana ouvi uma das mais importantes entrevistas sobre o assunto - a quebra do Acordo com o Irão - se não a mais importante, não só pela opinião expressa mas, sobretudo se considerarmos quem a expressou  e de onde vem.


O General Danny Yatom é um antigo director da Mossad; se mais não houvesse isto bastaria. Mas mais há. 
Foi "chefe de staff"  de Ehud Barak, antigo Chefe do Estado Maior do Exército e antigo primeiro-ministro de Israel; Foi também conselheiro militar Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel nos anos 70 e mais tarde nos anos 90 quando foi assassinado pela direita radical israelita; Actualmente integra a "Commanders for Israel's Security", organização composta por cerca de 300 generais reformados seriamente preocupados com o futuro de Israel enquanto Estado. (Ele explica sumariamente porquê.)
Como será evidente o General Yatom sabe mais sobre o Irão mesmo a dormir do que Trump acordado durante um ano inteiro

O General Yatom foi entrevistado pelo impecável, e não sectário, Fareed Zakaria este fim de semana. Esta entrevista só teve um defeito, foi curta para o desejável.
Sem comentários deixo o vídeo e a transcrição com alguns "negros" que sublinhei.



-ZAKARIA: In the aftermath of the announcement most experts agreed there was little new to what the prime minister (Netanyahu) had supposedly revealed making these anti-Iran new case first in English and only then in Hebrew. Perhaps Bibi was talking to just one person, the man who will decide by May 12th whether the United States stays in the deal or pulls out. I wanted to get an Israeli perspective on the speech and got one from

General Danny Yatom. He is a former head of Mossad, the Israeli intelligence agency, and now a member of an organization of top Israeli retired generals who are concerned about the future of that nation. It is called Commanders for Israel's Security.

General Yatom, a pleasure to have you on.

- GEN. YATOM, FORMER MOSSAD DIRECTOR: Thank you very much, Mr. Zakaria.

- ZAKARIA: So you are a former general, a former head of Mossad, former chief of staff to Barak, former military adviser to Rabin, and you studied physics, you know, in college. So I feel as though --
- YATOM: In the university.

ZAKARIA: You are perfectly qualified to tell me what to think of Bibi Netanyahu's presentation about the Iranian nuclear program.

- YATOM: I think that we have to be honest and say that we the Israelis, and not only us, but also the Americans, those who are inside the issues, we did not see or hear anything else. We knew that the Iranians are cheating, we knew that the Iranians are lying, we knew that they had military nuclear program. We knew that they hide it.

But it is good for those that did not believe the Mossad and the others that the Iranians had it because look, until today even after the presentation of Mr. Netanyahu, the Iranians say, no, we have never had a nuclear program for military purposes.

- ZAKARIA: Now since 2015 when the Iranians signed the nuclear deal, the IAEA which has inspectors and cameras says they have abided by it, U.S. intelligence confirms that. European intelligence -- is it your understanding that Israeli intelligence also believes that since 2015, since the signing of the deal, Iran has abided by the terms of the deal? 

- YATOM: I think that the answer is yes. But with some suspicions. Meaning, we did not find any evidence that Iran breached the deal but there were some information entered about the cooperation between North Korea and Iran. And when you ask yourself what kind of corporation it can be or it could be, the only corporation is either corporation in the field of nuclear capabilities and especially for military purposes. 

- ZAKARIA: What would your advice to President Trump be on -- for his decision on May 12th? Should he adhere to the deal or should he withdraw?

YATOM: I think that he should adhere to the deal. And I think that this is mainly -- even though I agree there are many, many holes in the deal. But this is the opportunity. And also after what was revealed by us, about all those documents, this is a very good opportunity to come to the Iranians and to say, hey, look what we have found. We now have to make amendments and corrections in the deal. 


- ZAKARIA: If the United States walks away from the deal and Iran in response says then we don't have to adhere to the deal, isn't that a worse situation for Israel because now Iran is free to pursue any kind of nuclear program it wants. 
YATOM: You are 100 percent right. It is worse situation. If the agreement collapses due to the withdrawal of the United States and immediately withdrawal of Iran, it will be the collapse of the agreement. And instead of being in an ordinary place we'll be in a jungle because everybody will do whatever he understands. And the Iranians might come back immediately to where they were left before the agreement. And this is to continue and to enrich uranium in order to achieve in something like a year a nuclear bomb. 

- ZAKARIA: Let me ask you about another issue that is very close to your heart. You are part of this group of almost 300 Israeli generals, former generals from Mossad, from Shin Bet, from the armed forces. Why have you gotten together? What is the driving passion here?

- YATOM: We have many concerns about the future of the state of Israel. We want the state of Israel to exist forever as the only Jewish and democratic state. Now between the sea and the Jordan River, there are approximately half Jews and half Palestinians. If there will not be a two-state solution that we are promoting and the prime minister does not promote and his government does not promote, we might find ourselves in a much worse situation where the world will come to rivals and say, you know what, we are fed of this struggle. 

You cannot find a way to live together side by side, let's have one state. Once there is a one state to the two peoples, it means the end of the state of Israel as a Jewish and democratic state because you can't preserve Israel as Jewish and democratic only if under your sovereignty the majority of the population is Jewish. And between the Jordan and the sea, this is not the situation even not today. So it is the destruction of the state of Israel. 

ZAKARIA: General, pleasure to have you on.

YATOM: Thank you very much, Mr. Zakaria. 


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QUEM LÊ O QUÊ, EM LONDRES

Esta preciosidade caiu-me ao colo e não resisto a partilha-la; já passaram 10 anos mas os públicos dos grandes jornais ingleses continuam a definir-se da mesma forma (basta acompanhar a "press preview" da Sky News durante 3 ou 4 dias para saber o quanto esta hilariante e sucinta descrição é exacta)

Ora vejam lá...

PODERIA CHAMAR-SE "SARILHOS"

Como não tenho nada que fazer aceitei esta prenda, este sarilho, esta carga de trabalhos que ainda nem tem 5 semanas mas já descobriu que se consegue mexer, muito...
Nome de código Wayne, Bruce Wayne...



CONTRA FACTOS ARGUMENTA-SE

Quando se fala em ditadura há que depreender que é uma ditadura de direita.  Não há ditaduras de esquerda. A esquerda é sempre amiga do povo.
Mesmo a rapaziada que ganha as eleições à esquerda, os que as ganham e os que baralham e voltam a dar com umas percentagens deslumbrantes,  mais comunista ou menos comunista ou mesmo da ala "éramos-comunistas-mas-não-dá-jeito-nenhum", é que sabe o que é bom para povo. Pois é, mas o povo é pobre e a rapaziada que ganha sempre as eleições safa-se muito bem. E levam muito pouco tempo a safar-se. Alternância democrática? Isso é um conceito burguês e capitalista que só serve para desestabilizar e confundir.

O PCP tem 4 páginas no seu site dedicadas à Venezuela, apoiando Maduro, claro, esse grande defensor do seu povo, só na 1ª página conta com 10 ligações a artigos. Obviamente não comento mas acho notável e esclarecedor.

Agora o Lula foi condenado. Cai o Carmo e a Trindade, aqui d'el rei (vade retro...) a injustiça impera por via das forças fascizantes!
A sério? Estão mesmo convencidos? Claro que estão, chama-se surdez selectiva.

Facto: D. Lula era um pé-rapado que descobriu a árvore das patacas e em 8 anos de trono fez dos dois filhos empresários milionários.
Sem roubo nem corrupção? Ah pois, roo-me de inveja por não saber o segredo. Não me gozem assim, tão descaradamente. Ou, se conseguirem, expliquem-me.

No entanto a esquerda clama por justiça vitimando D. Lula. Mas há pachorra?
Se a história, os processos, fossem exactamente os mesmos mas o D. Lula fosse um gajo de direita outros galos cantariam... Sarkozy vai ser julgado por corrupção e tráfico de influências estando em causa o alegado financiamento ilegal da sua campanha. Ao pé de Lula  Sakozy tem asas mas não vi ninguém insurgir-se com as alegações ou pretender defendê-lo como injustiçado.

Mas que raio se passa com esta gente? Um malandro é um malandro, um ladrão é um ladrão, um corrupto é um corrupto, um mentiroso é um mentiroso; à esquerda, à direita ou às riscas axadrezadas, os factos expõem a realidade. (Sim, já sei, não são factos, são cabalas negras, já vi isso noutro filme).


Não, meus amigos, por mais que queiram rotular-me não sou de direita, nem de esquerda, nem às riscas. Não gosto de salafrários, de gente que ascende ao bem-bom à custa dos outros, muito menos quando estão implicados dinheiros públicos. Mete-me nojo essa gente venha ela de que sector político vier. Defender essa gajada, na melhor das hipóteses, é masoquismo.

A CELTEJO, O TRIBUNAL E O MEXILHÃO

Há mais de um ano, talvez dois ou perto, que de vez em quando deparo com o corajoso estrebuchar de um utilizador do Facebook, o Sr Arlindo Consolado Marques (o perfil é público) , conhecido como o "Guardião do Tejo", batalhador incansável  contra a utilização do rio como se de uma fossa séptica ligada a um centro de tratamento se tratasse.

Este senhor chamou-me a atenção pelo número de fotos e vídeos alarmantes que ao longo deste tempo tem vindo a publicar.

A Celtejo já o processou, claro.
Claro porquê? O senhor Arlindo não é importante mas é incómodo e irrequieto e a Celtejo é uma das três fábricas de papel na área mas é responsável por 90% daquela dramática poluição


O problema é, portanto, há muito conhecido e subsistente.
E então?




Lê-se na página de abertura da Celtejo na net:
«A Celtejo é uma empresa com quase 50 anos de conhecimento e experiência na produção de pasta de papel encontrando-se na vanguarda tecnológica sendo reconhecida internacionalmente pela superior qualidade dos seus produtos. Com linhas de orientação que privilegiam a sustentabilidade económica, a preservação ambiental e a rigorosa certificação de qualidade, investimos permanentemente na total satisfação dos nossos clientes. Mas queremos ir mais longe. Para a Celtejo o limite é a perfeição. Novos patamares de qualidade. Novos limiares de inovação. Mercados mais exigentes e competitivos. Juntos, ambicionamos crescer como um todo coeso. Dinâmicos, motivados, construímos todos os dias o futuro de uma empresa de referência mundial.»

«Para a Celtejo o limite é a perfeição», dizem eles... Desconfio que esta rapaziada é como o pretérito, o mais-que-perfeito, pois já ultrapassaram todos os limites.



- Foram levantados cinco processos de contra-ordenação à Celtejo,
- Três desses processos aguardam decisão
- Os outros dois receberam sentença e foram objecto de recurso:
num destes foi aplicada uma coima de 48 000 euros e aguarda a decisão sobre o recurso;
no outro foi aplicada uma coima de 12 500 euros;

Estes último teve a coima reduzida para 6 000 euros e anda assim o tribunal resolveu substituir o pagamento por uma repreensão escrita.

ISTO É UMA VERGONHA, UM ESCÂNDALO, UMA PORCARIA, UMA IRRESPONSABILIDADE

Os outros processos? A ver vamos... 

E agora? Agora o Tejo vai ser limpo naquela zona - Vila Velha de Ródão, Abrantes - pois, segundo o ministro do Ambiente :
«...estes sedimentos são como uma bomba relógio do ponto de vista da poluição, por consumirem oxigénio, inibindo a possibilidade de haver vida no Tejo .../... obrigando a uma intervenção que acabou por identificar a presença de níveis de celulose 5.000 vezes superior ao que seria normal.»
A primeira fase da limpeza está orçada  em cerca de 1,5 milhões de euros.
Quem paga? A Celtejo? Nááá...
Quem paga é a malta!

E a lei? A lei é complacente
E o Ministério? O Executivo não se mete no Judicial.

Há uma expressão portuguesa, caída em desuso não percebo porquê, que reza assim: "Quando o mar bate na rocha quem se amola é o mexilhão"


O SOL OCULTO COM UMA PENEIRA

YEHHH, é uma festa: o défice 2017 seria o mais baixo não fora a recapitalização da CGD.

Seria... Não fora... Pois, mas é, a tal recapitalização da CGD, esse baluarte da imoralidade e do compadrio, é pago por todos nós e não pode deixar de pesar (leia-se "constar") nas contas de 2017. Não vale a pena fazer a festa, andamos a apanhar as canas dolorosamente. Todas as canas, essas e as demais.

Ah mas... Não há mas, venha o Centeno com as peneiras que quiser - peneiras umas e outras, ambos os sentidos da palavra são apropriados - porque a realidade não lhe faz o corpo à curva.

A dura realidade em que todos nos movemos é que o ano de 2017 apresenta a carga fiscal mais elevada desde há 22 anos! Nem durante o governo de Passos Coelho, com a troika a reboque, quando o ministro das Finanças anunciou, sem peneiras nem disfarces, um "brutal aumento de impostos", se chegou a esta brutalidade. 

Impostos indirectos e contribuições sociais estão a estrangular o sector privado, o que é gravíssimo,  é o sector privado que aguenta o barco em que todos navegamos. Cada vez mais no sector privado se trabalha para pagar fornecedores, salários e impostos. Então não é uma festa?

Dizia o Costa aos pulos que acabou a crise... Só se foi lá em casa dele e dos primos.

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NORMAL? AQUI? NÁÁÁ...

Mesmo considerando toda a desbunda que vai caracterizando o quotidiano nacional ainda há coisas que me surpreendem, que me chocam e, posso jurar, não vai sendo fácil.

Como se poderá constatar pelos primeiros "posts" que por aqui deixei depois de o então PR Cavaco ter entregado a chefia do governo a outro que não ao líder do partido que ganhou as eleições, deixei de levar esta treta com um mínimo de seriedade: "Não vou levar isto a sério" foi o título de vários comentários sumários de então. Pouco ou nada ligo ao que se vai passando, vou assistindo tão passivamente quanto consigo àquilo que nos querem vender neste bordel. Não tenho nada a ver com esta gente.

Como dizia, ainda há coisas que me chocam. Talvez não seja mau, talvez signifique  que não penetrou em mim a suposta "normalidade", que mantenho viva a noção de que  vivemos em legitimada anormalidade.

 Ora vejamos, mesmo dentro da conjectura actual (agora digo conjectura para não insistir em bordel) isto é normal? Aceitável?


"Economia Hoje, Futuro Amanhã"
"O projeto europeu depois da crise económica"
Auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra 
21 de Março
José Sócrates 
Primeiro-Ministro do XVII e XVIII Governos Constitucionais de Portugal

Futuro amanhã? ...depois da crise? José Sócrates? Há aqui qualquer coisa que não me soa nada bem...

Com o patrocínio da Universidade de Coimbra? Da faculdade de Economia?
Da RTP1? Da Antena1?
Espera aí... mas sou eu, e os outros que também foram deixados de tanga por este gajo, quem paga esta m... !

O Primeiro-Ministro do XVII e XVIII Governos Constitucionais de Portugal: Que pompa!
Pena é que não lhe tenham alongado o currículo: Prisioneiro 44 indiciado nos processos XPTO a aguardar sentença.
Mas dadas as circunstâncias...

Pode? Pode, nós deixamos. Achamos normal, é a liberdade de expressão. 
E seria, caso fosse o auditório do PS ou qualquer outra sala arrendada às custa de entidades privadas. quem lá for irá por sua conta, quero lá saber. Mas não, isto é(-me) imposto à boa maneira do "come e cala".
E ninguém vai às trombas dos patrocinadores. Laissez faire, laissez passer.
Qualquer dia vou para a Austrália fazer uma plantação de cangurus.


IN MEMORIAM - UMA ESTRELA MUDOU DE UNIVERSO

Nasceu no  mesmo dia que Galileu Galilei
Ocupou, em Cambridge durante 30 anos, a mesma cátedra que Isaac Newton.
Morreu esta madrugada, no mesmo dia que Albert Einstein.

Dizia Carl Sagan que somos feitos de pó de estrelas; de vez em quando, muito de vez em quando, dá-se uma acumulação singular desse divino pó e nasce uma estrela, com brilho próprio, disseminadora de Luz - nasce um génio.


Como Galileu, Newton ou Einstein, as estrelas da humanidade não se apagam,
Steven Hawking continuará brilhando
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IN MEMORIAM - STEINER

Aos amigos do Steiner, que são muitos

O Steiner deixou-nos hoje; partiu em paz.
Partiu talvez prematuramente, como quase todos os cães: vivem tão pouco se considerarmos a desmesurada capacidade de amar que possuem.
Era assim o Steiner, desmesuradamente bom, amável, carinhoso.





NÃO HÁ TÍTULO PARA ISTO

Há um ponto abaixo do qual a dignidade e a decência não sobrevivem, sofrem uma espécie de morte-súbita, nem sendo necessário que o seu estado seja já deveras debilitado.

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On the Thursday Oval Office meeting with lawmakers, referring to the african countries, Trump asked: 

"Why do we need more Haitians? Take them out."

"Why do we want all these people from 'shithole countries' coming here?"

Não se me oferece qualquer comentário, nem político, nem social, nem humano; só te mando um recado, um lamento:

Mr Tump, you've turn the Oval Office into a shithole, you're nothing but that shit inside.

FAKE POTUS

Ofereço o link  porque não quero que vos falte nada.
Poderia chamar-se "Orgulho e Preconceito", dando um novo sentido ao título mas já estava muito visto. Também poderia ser "As Anedotas do Loiro" mas as loiras têm mais saída.
Comprei este fim de semana e enrolei-me no sofá com ele e a minha mantinha.
Não que traga grandes novidades mas alivia o fígado em saborosas gargalhadas.
Expõe algumas declarações preocupantes (por exemplo sobre o Médio Oriente, logo para começar) mas novidades não serão, apenas confirmações.
As mucosas gástricas mais sensíveis poderão sempre consolar-se convencendo-se de que são "Fake news". Pois, está bem, mas não são. É o óbvio apanhado dos capítulos de uma novela a que vimos assistindo desde o início da campanha nos States.
Pensem o que pensarem garanto-vos que vale o tempo empregue.
Divirtam-se.


FIRE AND FURY - https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2018/01/Fire-and-Fury-Michael-Wolff.pdf

NOTA _ O Link foi alterado porque a Google (com razão, respeitando direitos de autor) retirou o documento mas, como é suposto sabermos, o que "está na Net está para sempre". Pelo sim pelo não se quiserem ler todo o livro o melhor é fazer o download

ESTÁ EXPLICADO

Ser um génio é uma chatice, ninguém nos entende

2017 ADEUZÓVAIT'INBÓRA

De entre mil acontecimentos desta volta de 365 dias que vivemos em 2017 poucos haveria de onde escolher que nos reconfortassem a alma. Houve solidariedade, inter-ajuda, no meio de múltiplas desgraças - algumas naturais, como terramotos e cheias -  a maior parte da plena responsabilidade  da conflituosa raça humana.

Os tempos são escuros e não se adivinham esperançosos.

A China constroi abrigos para refugiados junto à fronteira com a Coreia, Assad voltou hoje mesmo a bombardear civis, no Irão reclama-se uma "Primavera" que não virá sem um duro "Inverno", Putin brinca aos democratas e mina as democracias ocidentais enquanto estabelece alianças com autocratas e teocratas, a Trump não lhe vai nascer o que nunca teve, Maduro não desiste de que mais vale quebrar do que torcer, Netanyahu tomou o freio nos dentes, Kim Jong Un sabe que joga com trunfos doa a quem doer, No Iemen morre-se de fome e cólera, em Mianmar nega-se o inegável, na Líbia vendem-se seres humanos como cães rafeiros, .../... etc. .../...

Não, não sou derrotista, bem pelo contrário, faço o possível por limar as arestas da vida com esperança e, sobretudo, com muito sentido de humor; sei, no entanto, que de nada vale tentar tapar o Sol com uma peneira... Não há sentido de humor que me valha.

Que 2018 nos surpreenda, positivamente.


LEGIONELLAS, SALMONELAS E OUTRAS "ELAS"

Lidia S-------
 9 December 
 
Hoje assisti à limpeza dos WC das urgências do hospital do Barreiro. A funcionária não usou luvas, nem detergente, nem desinfectante, nem pano. Limitou-se a usar uma esfregona e a trocar o saco do lixo. Chocada apresentei uma reclamação por escrito e qual não é o meu espanto, quando vou verificar o nome da funcionária, vi que ela já tinha assinado a limpeza das 22h antecipadamente. Eram 18h05... — feeling shocked.
in "Facebook"

Depois queixem-se "do surto"...
Quem é responsável, a empregada da limpeza?
Hum... Não me parece.

Legionella é comum em muitos ambientes aquáticos, incluindo o solo, sistemas de canalização, wc's e esgotos, possuindo pelo menos 50 espécies e 70 serotipos identificados. Transmite-se através da inalação de contaminados com a bactéria e não através da ingestão de água.

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SÓ COM UM PANO ENCHARCADO!

Acabei de ver a reportagem sobre a tal Paula Brito Costa, presidente da "Raríssimas". Ainda não tinha visto e já lhe tinha chamado uns quantos nomes; agora quero fechar a boca e não consigo.

Paula Presidente? Qual quê! Imperatriz! Czarina! As coisinhas proferidas por aquele anjinho da solidariedade social que aparecem em gravações vídeo  ao longo da reportagem não são credíveis. A mulher é perversa. Doida, megalómana e perversa. Para além de ladra-pindérica, claro está, mas isso já é mais vulgar.
Espantoso!

Espantoso não o facto de ela, o marido e o rebento viverem à conta de donativos e de dinheiros públicos, isto é, nossos, num ambiente de "faço,quero, posso e mando" sem oposição de qualquer espécie.
Espantoso é que a festa não durou um mês, nem dois, nem três e andava tudo caladinho, tudo a assinar de cruz, quem talvez tenha comido do mesmo tacho e quem, por certo, não comeu.
Não entendo. Ultrapassa-me.
Tanta escada a precisar ser lavada e ninguém lhe deu um pano encharcado!


http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/reportagem-tvi/investigacao-tvi-para-onde-vai-o-dinheiro-que-a-rarissimas-recebe

DAS DUAS TRÊS

One thing I love about the Brits: 
They speak clear good english...



Sem comentários desnecessários, ninguém manda o loiro pôr-se a jeito

A GRANDE ESCOLA DO ABSOLUTISMO

Depois de ler sobre o chumbo da proposta de isenção de IMI (hoje, aí abaixo) julguei que a minha incredulidade estaria sobejamente provocada.  Aah mas não... O incrível voltou a manifestar-se e, desta vez, não consegui reprimir uma soberba gargalhada (amarga e escandalizada).

«O Governo reúne-se no domingo em Aveiro, em Conselho de Ministros de reflexão política, para assinalar dois anos em funções, participando depois numa sessão em que os membros do executivo respondem a questões colocadas por cidadãos.../...Na sessão, também segundo o executivo, "as perguntas serão elaboradas pelos cidadãos que participam num inquérito quantitativo de avaliação ao segundo ano do Governo, organizado pela Universidade de Aveiro, sob coordenação do professor universitário Carlos Jalali*In DN- 24 Nov. 2017
*Carlos Jalali, responsável pelas perguntas,  que em Julho de 2016 dizia graçolas como esta:
"O governo virou a página do discurso da austeridade" "O Governo de António Costa conseguiu descolar a marca da austeridade da sua gestão"

Fora só isto e nada haveria a assinalar, faz parte...
Pois mas a coisa não é bem assim... Não é nada assim.

«O governo de António Costa vai pagar 36.750 euros a um grupo de 50 cidadãos, que vão participar num estudo da Universidade de Aveiro e depois irão fazer perguntar ao executivo. Cada cidadão recebe um pagamento de 200 euros, ou mais, além de ter as despesas de deslocação e alimentação asseguradas. »
Coube à empresa Aximage ... 
Ora pois claro, who else, essa, o Jorge de Sá, piparote ordinário, vão a todas... «só mesmo por “provincianismo” é que se pode criticar um estudo destes», diz o Sá...
Dizia eu,
«...coube à Aximage  a “definição técnica para a constituição de uma amostra adequada” e o “recrutamento dos participantes”, incluindo “a gestão das deslocações […] e dos actos relacionados com transporte, alojamento e refeições”, de acordo com a mesma fonte do Governo.Segundo o contrato de adjudicação directa, trata-se de uma “aquisição de serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional»  - In SOL e TVI24
Questões colocadas por cidadãos?
Sim, cidadãos serão, pagos, deslocados, alojados e alimentados para fazerem as perguntinhas que o governo quer

“definição técnica para a constituição de uma amostra adequada”
Adequada a quê? Por curiosidade, um tanto mórbida, reconheço, gostava de saber quais o parâmetros usados pela Aximage para o «recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo»
Aah, mas calma, porque o "estudo" vai mesmo ser feito e, por certo, publicado com grande pompa e gaitas de foles: o estudo destina-se  à «iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional»

Pronto, escusava eu de fazer perguntas parvas... Está lá escrito com todas as letras. E eu posso dar as gargalhadas que quiser porque pago esta farsa vergonhosa; pago eu e todos nós, os pagantes.
Uma amostra adequada à avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional.

Vai ser bestial!!!
Assim sim, nem o camarada Maduro faria melhor, só nos falta ver estes gajos eleitos por uns 90%, estamos no bom caminho.
Já faltou mais, estes nem eleitos foram, custe a quem custar.

MAS ISTO PODE SER VERDADE?

Quando vi a notícia pensei que estava, outra vez, no reino das "fake news"; Ná, pode lá ser, é mais um título bombástico a clamar ao "click" na página para aumentar o número de visitas


Mas não. Infelizmente não. Afinal é mesmo verdade.

Estou-me nas tintas para a origem da proposta em termos partidários, a questão ultrapassa largamente qualquer defesa ou ataque partidário, a questão coloca-se ao nível de (um mínimo) de justiça, sensibilidade e solidariedade humana. Em falta!
Isto é um misto de partidarismo e pobreza envergonhada, escondida sob uma peneira. Uma indecência.

A vergonha só lhes dá para esconder a pobreza, é pena...

Após os incêndios na Madeira, no Verão de 2016, o governo dessa região autónoma decretou a isenção de IMI para todos aqueles que viram o seu património imobiliário destruído. Só isso faz sentido, tudo o resto não é tributar, é sacar à grande, doa a quem doer.


Mas isto pode ser assim? Pode e É.
Encolhe-se os ombros, soma-se e segue-se, como se fosse normal e aceitável.
E há quem aceite de bom grado, quem busque argumentos a favor para justificar o seu apoio (incondicional?) e o seu voto quando chegarmos à época.

É espantoso! Que porcaria! 

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VALE POR UNS QUANTOS IMPROPÉRIOS

Com alguma frequência recebo comentários, provocações comedidas e perguntas - normalmente retóricas - via e-mail sobre o que escrevo aqui no blog e também sobre o que não escrevo, isto é, por que é que não escrevo. 

Esta semana recebi três e-mails de diferentes pessoas que estranhavam o meu silêncio, ou dele discordavam, sobre aquela chafurdeira que vai na Catalunha. 
Vamos lá a ver se me faço entender: Não tenho nada contra a auto-determinação dos povos (é assim que é politicamente correcto dizer) mas não convém nada misturar alhos com bugalhos e muito menos metê-los no mesmo saco. Não convém por duas razões: primeiro porque é uma incontornável prova de estupidez - o que não se confunde com a divergência de opinião - e segundo porque provoca em mentes menos avisadas, influenciáveis ou com visão unilateral, uma confusão difícil de aturar.
Não há qualquer semelhança entre o referendo independentista kurdo, ainda que tendo em conta a sua rebelião contra o governo iraquiano  e o pseudo-referendo catalão. Não há qualquer semelhança na legitimidade, no universo eleitoral votante, na verdade expressa nos resultados. Não há qualquer semelhança entre um Homem como Barzani e um Peruca como Puigdemont.
Não há sequer qualquer semelhança com o que se vem passando na Escócia onde, concordemos ou não, as consultas têm sido feitas dentro da lei e seguindo o manual das boas práticas. E por aí fora...

O que se passou na Catalunha foi a usurpação de um acto eleitoral que deveria ser democrático, foi um abuso de poder - desde a incrível fita no parlamento regional a horas estrategicamente tardias até à ridícula declaração de independência passando pelo número de votantes face ao número de eleitores - que se revela não mais do que a egocêntrica vivência de uma peruca no seu sonho meio tresloucado de ficar na história como o heroi dos independentistas catalães. Puigdemont sabe perfeitamente que as coisas não podem ser assim mas está-se nas tintas, agarra-se com unhas e dentes à sua oportunidadezinha de ter um momento reluzente montando o cavalo branco. 
Querido Puigdemont, isso não é um cavalo, repara bem, isso é uma mula parda e mal amanhada da qual vais dar um trambolhão seguido de coice à retaguarda

Após estas poucas linhas de linguagem contida torna-se-me difícil manter a compostura; se começo a pensar nos confrontos civis que poderiam ter havido com consequências fatais - e que ainda não estarão fora de causa - nas razões ocultas sob uma capa libertária com objectivos inconfessáveis visando a trajectória da Europa... Nã-nã-nã, não digo mais nada senão começo a sair da linha.

Depois da trampa que fez na Catalunha o Peruca foi com o rabinho entre as pernas fazer uma tentativa de heroi vitimizado para Bruxelas mas o jogo saiu-lhe torto: não há cá estatuto de asilo político para farsantes como tu.
Entregue a si próprio restou-lhe fazer de conta que não queria asilo político, apelar às garantias de Bruxelas sobre a sua cidadania europeia - quanta ironia! - e tentar manter a face fazendo um esforço público para não fazer xi-xi pelas pernas abaixo. Que hijo!!!
Deixa vir eleições a sério a 21 de Dezembro e depois a gente fala.
Feliz Natal.

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PORTUGAL. AGORA.


Publico um relato de alguém que não conheço mas que anda por aí distribuindo comida e água, fazendo apelos em zonas que não têm qualquer rede, fixa ou móvel, inclusivamente informando de pequenos focos de fogo que teimam em reactivar-se. (as torres de vigia continuam fechadas)
Que as bençãos do Universo recaiam sobre ele


Nada mais tenho a dizer, não tenho palavras.
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Deixo um link à página porque esta é pública no Facebook

Joao Paulo Henriques
«Hoje de manhã quando fomos distribuir os alimentos às pessoas vítimas dos incêndios na zona de Oliveira do Hospital, encontramos uma aldeia chamada Anceriz no Concelho de Arganil que metade estava destruída.
Não se via ninguém, até que decidimos ir bater às portas das casas que não estavam queimadas para saber se precisavam de mantimentos.
Na primeira senhora que nos abriu a porta, perguntámos se precisava de comida ou água, ela de imediato começou a chorar compulsivamente a dizer que não tinha água para beber, não tinha comida nem electricidade há 2 dias e que tínhamos sido os primeiros de fora a chegar.
A senhora tinha os braços e as pernas com ferimentos de queimaduras e sem estarem tratados.
Perguntamos se tinha mais pessoas ali a precisar e ela de imediato disse que ía chamar as outras pessoas.
De repente começam pessoas a vir rua abaixo na nossa direcção a chorar a pedir principalmente água que estavam com sede!
Como é possível isto estar a acontecer????
De seguida fomos a Oliveira do Hospital e avisamos o posto da protecção civil que aquela aldeia estava metade destruída e com as pessoas naquela situação.
Um dos senhores da protecção civil ainda me perguntou se eu estava a falar a sério!
COMO ISTO É POSSIVEL ESTAR A ACONTECER!
Para que não haja dúvidas do que aconteceu, pois estão pessoas a quem não interessa a verdade e estão a pressionar para apagar isto,vejam os meus diretos!
Hoje eles, amanhã podemos ser nós!
Juntos somos mais fortes!»

O REBANHO QUE SE CUIDE


É do conhecimento público que a Galiza esteve a arder.

Morreram 4 pessoas.

Em Santiago de Compostela, em Vigo, em Ourense, em Pontevedra, um pouco por toda a Galiza milhares de pessoas foram para a rua protestar e exigir que o Estado cumprisse a sua obrigação: proteger as pessoas.

Também em Madrid e em Barcelona as pessoas foram para a rua fazer-se ouvir.

Palavras agrestes foram gritadas como - “um governo que improvisa é um terrorista”; gritaram-se exigências: "novo plano de protecção das montanhas" e "mais meios técnicos e humanos para combater os incêndios".


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Em Portugal o número de pessoas que morreram nesta última vaga de fogos já se elevou a 41


Diz o Costa:
"OS PORTUGUESES SÃO ADULTOS, 
SABEM QUE OS GOVERNOS NÃO TÊM VARINHAS MÁGICAS"

Ninguém tem varinhas mágicas mas existem pessoas que trabalham dentro dos meios ligados ao combate aos incêndios - essas têm de ser ouvidas e respeitadas - não uns arrivistas que tomam o seu lugarzinho como um tacho e se desdobram em incompetência e ignorância; Existem meios que devem ser utilizados, não postos de lado porque se chegou ao fim de Setembro.
Todos sabemos do que falo, não faz sentido alongar-me.

QUEM FALA POR ELE?

Os portugueses também não têm varinhas mágicas mas, se quiserem usar, têm voz, têm autoridade, têm direitos

Se têm maturidade???  Isso está por ver e ouvir. 
Até agora...
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...E O PASTOR DORME, digo eu

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«A obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido» - Costa dixit.

Evito falar do Costa; evito falar do governo de um modo geral, normalmente acabo com uma dose excessiva de um cocktail de Alka-Seltzer e Guronsan, mas estes tipos - refiro-me à malta que ficou em segundo lugar nas Legislativas - conseguem tirar-me do sério, o que não é nada fácil porque habitualmente não os oiço. Basta um momento incauto, um rádio ligado no carro, um café numa pastelaria com TV... e pronto, lá vem a naúsea.
Hoje é pior do que naúsea, hoje deu-me vontade de chorar: chorar de pena, chorar de injustiça, chorar de raiva, chorar de impotência, chorar de vergonha.

Vejam este vídeo, um de muitos, e agarrem as lágrimas no peito

Não há lágrimas que lavem a tragédia encerrada em gabinetes confortáveis e seguros, em reuniões que de pouco mais servem  do que para tranquilizar algum sentimento de culpa que ocupa o espaço da consciência.


Confirmados 38 mortos (incluindo bebé de 1 mês),  
7 desaparecidos 
63 feridos (15 graves)
Números podem subir.

Costa diz que é preciso “tempo” para que o Governo analise o relatório da comissão independente sobre a tragédia de Pedrógão e tome medidas.
“Temos de transformar as recomendações em medidas práticas, temos de passar aos actos. Isso implica tempo, mobilização política, de meios e recursos”
TEMPO? Precisa de tempo? E  o raio que o parta, não?
O incêndio de Pedrógão deflagrou no dia 17 de Junho último. 
Depois desse dia malfadado as desgraças multiplicaram-se. Não quero ignorar que este Verão foi muito quente, que existe uma seca grave, mas mesmo considerando esses factores que escapam ao controlo humano é preciso ter uma enorme lata para reclamar TEMPO para analisar sacudindo a água do capote... Que raiva me dá!
Já foram de férias, já fizeram campanha, já brincaram ao pau com os ursos. Tempo?

Havia, e continua a haver, uma obrigação moral e uma responsabilidade institucional por parte dos poderes executivo e legislativo de assumirem as suas funções  "de caras" e de tomarem as rédeas da situação. A Assembleia estava fechada para férias? Pois que abrisse. O Costa estava cansadito e queria ir para Palma de Maiorca? Pois que adiasse as férias, ele e os outros muxaxos que se sentiam olheirentos. Ser governo não é ter um emprego. Nem ser deputado. Ser poder é assumir um compromisso de servir um país. Perceberam?
De meio de Junho a meio de Outubro vão quatro meses, mais de 120 dias. 

Queres mais tempo Costa? Ok, pode ser que o fogo chegue a S. Bento.

Diz o Costa:
«Essa obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido. A culpa é do desordenamento da floresta, que está mal estruturada e é pouco resiliente, um problema que se acumula ao longo de décadas.»

Falhou alguma coisa? 
Nãããõoooo. o povo anda obcecado com os fogos, culpa das TV's que só filmam para o lado que arde. 
este fim-de-semana arderam matas nacionais impecavelmente ordenadas e tratadas – provavelmente as únicas matas nacionais bem tratadas, as do Pinhal de Leiria. A culpa é do desordenamento da floresta...  E talvez também do rato Mickey que tem a mania de ir para lá fumar charros.

Quando questionado sobre se seria prudente dar por terminada a "Fase Charlie" o secretário de Estado da Administração Interna, essa avantesma, respondeu que o corte de 40 % dos meios de combate, provocado pelo fim da Fase Charlie, estava devidamente calculado. Na resposta, o Governo referiu ainda que não fosse estendida a fase Charlie, tinha sido reforçado o dispositivo de combate aos fogos. O-QUE-É-MENTIRA.
Todos os postos de vigia da rede nacional - todos os 236 postos - foram encerrados a 30 de Setembro.
Isto é compreensível? É perdoável?
Vem o Costa dizer que o governo irá assumir as suas responsabilidades... Pois sim. Que o diga na cara de quem perdeu os seus, as suas casas, a sua terra, a sua empresa, os seu sustento. Na cara dos portugueses já disse e ainda ninguém veio para a rua responder-lhe...

Números...

Durante a Fase Charlie os meios humanos de prontidão chegavam aos 9740 operacionais; sofreu uma redução de quase 45% - 5518 operacionais disponíveis.
Veículos de prontidão disponíveis: a 1 de Outubro passou dos 2053 para 1318, um corte de mais de 35%..
Meios aéreos -  a redução registada a 15 de Outubro era mais significativa: 65% -  de 47 para 18/16. (Meios aéreos disponíveis de 1 de Julho a 30 de Setembro 47; passaram a ser 24 a 1 de Outubro; 18 a 5 de Outubro; 16 a 15 de Outubro.)

O relatório? 
O relatório põe o dedo na ferida, em muitas feridas, e aborda incompetência, falta de prontidão na actuação, falta de profissionalização, falta e utilização de meios disponíveis...  
«...como agora nos disse, preto no branco, a Comissão Independente que investigou o fogo de Pedrógão Grande, o sistema de Protecção Civil montado por Costa quando era ministro não é o adequado. Não serve. Nem está servido pelos mais competentes, antes por demasiada gente com o cartão do partido. Depois, porque a opção feita há dez anos foi feita.»
Obviamente não o li, não creio que esteja disponível para o português comum e eleitor (virá a estar?) e são 250 páginas de leitura de uma tragédia mortal. O Expresso e o Observador - talvez outros - oferecem uma boa janela para o interior deste revoltante relatório:

E o Secretário de Estado da Administração Interna, o que dizer das declarações deste mimo governativo?

Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, disse no domingo à SIC Notícias:

 «Temos que nos auto-proteger, as comunidades têm de ser pro-activas ao invés de ficarem à espera do socorro dos “nossos bombeiros e aviões». 
Costa nada comentou sobre estes mimos do Gomes; tem razão mais vale estar calado


Eu também não digo mais nada.


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«Quando o “pacote florestal” foi aprovado não foram poucas as vozes de técnicos, especialistas e cientistas a criticá-lo. A considerá-lo ou insuficiente, ou mesmo errado. Ninguém lhes deu ouvidos, as atenções estiveram todas numa discussão espúria sobre eucaliptos com o Bloco de Esquerda. Agora basta ler o relatório da Comissão Independente para concluir que essa reforma, de quem o ministro disse que era “a maior desde D. Dinis” (por ironia trágica do destino é com este mesmo ministro que ardeu o emblemático pinhal que ainda hoje associamos a D. Dinis…), é no mínimo muito insuficiente, nalguns casos contra-produtiva. Muitas das sugestões dos especialistas contrariam o que foi legislado, a maioria propõe acções que não estão contempladas nas leis aprovadas.»
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«Numa altura de seca severa e extrema em quase todo o país e previsões de tempo quente, o país não tem activo nenhum dos 236 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia.
A informação foi confirmada à TSF pela GNR, que gere estes postos de vigia, sublinhando que cumpriu aquilo que está previsto na Directiva Operacional Nacional onde se planeiam os meios anuais de combate aos fogos, feita pelo Ministério da Administração Interna e Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC, que remeteu qualquer esclarecimento sobre o assunto para a GNR).
Fonte - TSF 10 Out. 2017
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O governo não tem nenhuma varinha mágica.” - Costa
Pois... nem eu. 

PARA BOM ENTENDEDOR UM FADINHO BASTA.

Apesar de múltiplas provocações que me "e-mailaram" não me vou debruçar sobre o assunto. Não vou mesmo.
Dediquei-lhe muitas palavras, muitos posts, muitas emoções fortes; agora é tempo de espera... A ver vamos...

De quem falo? Ora...

Sempre achei graça a este faduncho tão luso, ólarilólélas, como este não há nenhum!

A COMUNICAÇÃO SOCIAL E O AQUÁRIO

OS FACTOS

- PSD perde 20 Câmaras , das quais 15 para o PS

- PS perde 15 Câmaras , das quais 12 para o PSD

- CDU perde 10 Câmaras das quais 9 para o PS

- Em Lisboa o PS perde 3 Vereadores (passa de 11 para 8) e perde a maioria absoluta conquistada em 2013

- Em Lisboa o PSD perde 1 Vereador ( tinha 3, fica com 2)

- Em Lisboa o CDS ganha 3 vereadores (tinha 1 passa para 4)

- Em Lisboa, PSD+ CDS ficam com 6 vereadores (tinham 4)

- Em Lisboa , na assembleia Municipal, o PS elege 22 deputados (tinha 25); perde 3, tantos quanto o PSD

- Em Lisboa o CDS passa de 2 para 9 deputados , na Assembleia Municipal, ficando PSD + CDS com 17 eleitos em vez de 14

- No Porto, o PS é derrotado por uma "coligação" que inclui o CDS e que tem maioria absoluta com votos "legislativos" do PSD


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Considerando FACTOS não se encontra, no grosso da COMUNICAÇÃO SOCIAL, o seu reflexo mas sim uma leitura de acordo com aquilo que se pretende estabelecer como realidade social.

A realidade social pouco tem de comum com o que foi martelado ao fecho das urnas: primeiros, segundos ou terceiros, as análises e parangonas são falaciosas.

Os factos, como é constatável, podem analisar-se de forma a servirem jogos palacianos que se estão desenvolvendo por detrás da cortina, mais despudoradamente do que alguma vez foi. Sinal dos tempos.

A comunicação social é parte integrante dessa cortina e presta-se a um papel servilista - talvez nem tendo presente aqueles que serve, talvez tendo a pretensão de servir outros mais de acordo com o que procura defender. 

Desenganem-se: não são esses que presentemente estão no comando dos bonecos falantes.

Aquilo a que assistimos presentemente em Portugal é a criação das condições óptimas de um meio no qual se possam desenvolver interesses e negociatas a coberto do poder instituído. Não é já um ambiente partidário, é mais grave, é um ambiente de comunhão de interesses, reservado e mafioso, no qual a lealdade, qualquer tipo de lealdade, não tem cabimento.



Sócrates estaria como peixe na água.
Passos Coelho, cheio de razão, deixa o aquário.

Nós, todos nós, à esquerda e à direita dentro do mesmo aquário, podemos ter a ilusão de nadar num mar no qual escolhemos a nossa direcção.