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«A obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido» - Costa dixit.

Evito falar do Costa; evito falar do governo de um modo geral, normalmente acabo com uma dose excessiva de um cocktail de Alka-Seltzer e Guronsan, mas estes tipos - refiro-me à malta que ficou em segundo lugar nas Legislativas - conseguem tirar-me do sério, o que não é nada fácil porque habitualmente não os oiço. Basta um momento incauto, um rádio ligado no carro, um café numa pastelaria com TV... e pronto, lá vem a naúsea.
Hoje é pior do que naúsea, hoje deu-me vontade de chorar: chorar de pena, chorar de injustiça, chorar de raiva, chorar de impotência, chorar de vergonha.

Vejam este vídeo, um de muitos, e agarrem as lágrimas no peito

Não há lágrimas que lavem a tragédia encerrada em gabinetes confortáveis e seguros, em reuniões que de pouco mais servem  do que para tranquilizar algum sentimento de culpa que ocupa o espaço da consciência.


Confirmados 38 mortos (incluindo bebé de 1 mês),  
7 desaparecidos 
63 feridos (15 graves)
Números podem subir.

Costa diz que é preciso “tempo” para que o Governo analise o relatório da comissão independente sobre a tragédia de Pedrógão e tome medidas.
“Temos de transformar as recomendações em medidas práticas, temos de passar aos actos. Isso implica tempo, mobilização política, de meios e recursos”
TEMPO? Precisa de tempo? E  o raio que o parta, não?
O incêndio de Pedrógão deflagrou no dia 17 de Junho último. 
Depois desse dia malfadado as desgraças multiplicaram-se. Não quero ignorar que este Verão foi muito quente, que existe uma seca grave, mas mesmo considerando esses factores que escapam ao controlo humano é preciso ter uma enorme lata para reclamar TEMPO para analisar sacudindo a água do capote... Que raiva me dá!
Já foram de férias, já fizeram campanha, já brincaram ao pau com os ursos. Tempo?

Havia, e continua a haver, uma obrigação moral e uma responsabilidade institucional por parte dos poderes executivo e legislativo de assumirem as suas funções  "de caras" e de tomarem as rédeas da situação. A Assembleia estava fechada para férias? Pois que abrisse. O Costa estava cansadito e queria ir para Palma de Maiorca? Pois que adiasse as férias, ele e os outros muxaxos que se sentiam olheirentos. Ser governo não é ter um emprego. Nem ser deputado. Ser poder é assumir um compromisso de servir um país. Perceberam?
De meio de Junho a meio de Outubro vão quatro meses, mais de 120 dias. 

Queres mais tempo Costa? Ok, pode ser que o fogo chegue a S. Bento.

Diz o Costa:
«Essa obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido. A culpa é do desordenamento da floresta, que está mal estruturada e é pouco resiliente, um problema que se acumula ao longo de décadas.»

Falhou alguma coisa? 
Nãããõoooo. o povo anda obcecado com os fogos, culpa das TV's que só filmam para o lado que arde. 
este fim-de-semana arderam matas nacionais impecavelmente ordenadas e tratadas – provavelmente as únicas matas nacionais bem tratadas, as do Pinhal de Leiria. A culpa é do desordenamento da floresta...  E talvez também do rato Mickey que tem a mania de ir para lá fumar charros.

Quando questionado sobre se seria prudente dar por terminada a "Fase Charlie" o secretário de Estado da Administração Interna, essa avantesma, respondeu que o corte de 40 % dos meios de combate, provocado pelo fim da Fase Charlie, estava devidamente calculado. Na resposta, o Governo referiu ainda que não fosse estendida a fase Charlie, tinha sido reforçado o dispositivo de combate aos fogos. O-QUE-É-MENTIRA.
Todos os postos de vigia da rede nacional - todos os 236 postos - foram encerrados a 30 de Setembro.
Isto é compreensível? É perdoável?
Vem o Costa dizer que o governo irá assumir as suas responsabilidades... Pois sim. Que o diga na cara de quem perdeu os seus, as suas casas, a sua terra, a sua empresa, os seu sustento. Na cara dos portugueses já disse e ainda ninguém veio para a rua responder-lhe...

Números...

Durante a Fase Charlie os meios humanos de prontidão chegavam aos 9740 operacionais; sofreu uma redução de quase 45% - 5518 operacionais disponíveis.
Veículos de prontidão disponíveis: a 1 de Outubro passou dos 2053 para 1318, um corte de mais de 35%..
Meios aéreos -  a redução registada a 15 de Outubro era mais significativa: 65% -  de 47 para 18/16. (Meios aéreos disponíveis de 1 de Julho a 30 de Setembro 47; passaram a ser 24 a 1 de Outubro; 18 a 5 de Outubro; 16 a 15 de Outubro.)

O relatório? 
O relatório põe o dedo na ferida, em muitas feridas, e aborda incompetência, falta de prontidão na actuação, falta de profissionalização, falta e utilização de meios disponíveis...  
«...como agora nos disse, preto no branco, a Comissão Independente que investigou o fogo de Pedrógão Grande, o sistema de Protecção Civil montado por Costa quando era ministro não é o adequado. Não serve. Nem está servido pelos mais competentes, antes por demasiada gente com o cartão do partido. Depois, porque a opção feita há dez anos foi feita.»
Obviamente não o li, não creio que esteja disponível para o português comum e eleitor (virá a estar?) e são 250 páginas de leitura de uma tragédia mortal. O Expresso e o Observador - talvez outros - oferecem uma boa janela para o interior deste revoltante relatório:

E o Secretário de Estado da Administração Interna, o que dizer das declarações deste mimo governativo?

Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, disse no domingo à SIC Notícias:

 «Temos que nos auto-proteger, as comunidades têm de ser pro-activas ao invés de ficarem à espera do socorro dos “nossos bombeiros e aviões». 
Costa nada comentou sobre estes mimos do Gomes; tem razão mais vale estar calado


Eu também não digo mais nada.


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«Quando o “pacote florestal” foi aprovado não foram poucas as vozes de técnicos, especialistas e cientistas a criticá-lo. A considerá-lo ou insuficiente, ou mesmo errado. Ninguém lhes deu ouvidos, as atenções estiveram todas numa discussão espúria sobre eucaliptos com o Bloco de Esquerda. Agora basta ler o relatório da Comissão Independente para concluir que essa reforma, de quem o ministro disse que era “a maior desde D. Dinis” (por ironia trágica do destino é com este mesmo ministro que ardeu o emblemático pinhal que ainda hoje associamos a D. Dinis…), é no mínimo muito insuficiente, nalguns casos contra-produtiva. Muitas das sugestões dos especialistas contrariam o que foi legislado, a maioria propõe acções que não estão contempladas nas leis aprovadas.»
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«Numa altura de seca severa e extrema em quase todo o país e previsões de tempo quente, o país não tem activo nenhum dos 236 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia.
A informação foi confirmada à TSF pela GNR, que gere estes postos de vigia, sublinhando que cumpriu aquilo que está previsto na Directiva Operacional Nacional onde se planeiam os meios anuais de combate aos fogos, feita pelo Ministério da Administração Interna e Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC, que remeteu qualquer esclarecimento sobre o assunto para a GNR).
Fonte - TSF 10 Out. 2017
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O governo não tem nenhuma varinha mágica.” - Costa
Pois... nem eu. 

PARA BOM ENTENDEDOR UM FADINHO BASTA.

Apesar de múltiplas provocações que me "e-mailaram" não me vou debruçar sobre o assunto. Não vou mesmo.
Dediquei-lhe muitas palavras, muitos posts, muitas emoções fortes; agora é tempo de espera... A ver vamos...

De quem falo? Ora...

Sempre achei graça a este faduncho tão luso, ólarilólélas, como este não há nenhum!

A COMUNICAÇÃO SOCIAL E O AQUÁRIO

OS FACTOS

- PSD perde 20 Câmaras , das quais 15 para o PS

- PS perde 15 Câmaras , das quais 12 para o PSD

- CDU perde 10 Câmaras das quais 9 para o PS

- Em Lisboa o PS perde 3 Vereadores (passa de 11 para 8) e perde a maioria absoluta conquistada em 2013

- Em Lisboa o PSD perde 1 Vereador ( tinha 3, fica com 2)

- Em Lisboa o CDS ganha 3 vereadores (tinha 1 passa para 4)

- Em Lisboa, PSD+ CDS ficam com 6 vereadores (tinham 4)

- Em Lisboa , na assembleia Municipal, o PS elege 22 deputados (tinha 25); perde 3, tantos quanto o PSD

- Em Lisboa o CDS passa de 2 para 9 deputados , na Assembleia Municipal, ficando PSD + CDS com 17 eleitos em vez de 14

- No Porto, o PS é derrotado por uma "coligação" que inclui o CDS e que tem maioria absoluta com votos "legislativos" do PSD


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Considerando FACTOS não se encontra, no grosso da COMUNICAÇÃO SOCIAL, o seu reflexo mas sim uma leitura de acordo com aquilo que se pretende estabelecer como realidade social.

A realidade social pouco tem de comum com o que foi martelado ao fecho das urnas: primeiros, segundos ou terceiros, as análises e parangonas são falaciosas.

Os factos, como é constatável, podem analisar-se de forma a servirem jogos palacianos que se estão desenvolvendo por detrás da cortina, mais despudoradamente do que alguma vez foi. Sinal dos tempos.

A comunicação social é parte integrante dessa cortina e presta-se a um papel servilista - talvez nem tendo presente aqueles que serve, talvez tendo a pretensão de servir outros mais de acordo com o que procura defender. 

Desenganem-se: não são esses que presentemente estão no comando dos bonecos falantes.

Aquilo a que assistimos presentemente em Portugal é a criação das condições óptimas de um meio no qual se possam desenvolver interesses e negociatas a coberto do poder instituído. Não é já um ambiente partidário, é mais grave, é um ambiente de comunhão de interesses, reservado e mafioso, no qual a lealdade, qualquer tipo de lealdade, não tem cabimento.



Sócrates estaria como peixe na água.
Passos Coelho, cheio de razão, deixa o aquário.

Nós, todos nós, à esquerda e à direita dentro do mesmo aquário, podemos ter a ilusão de nadar num mar no qual escolhemos a nossa direcção.

FAZENDO MINHAS AS PALAVRAS DELE

Pois é, tenho estado caladinha. A desgraça, a infâmia e o ridículo que grassam pelo único mundo onde conseguimos ir vivendo são tão envolventes que fico sem pio.
Nós por cá vamos estando em paz e as forças da natureza têm sido benévolas mas não deixamos porém de ir vivendo numa espécie de realidade alternativa, de olhos mais ou menos fechados e ouvidos demasiadamente selectivos.
Hoje também não me irei alongar, trago palavras que não são minhas mas nas quais me encontrei e umas poucas mais, que sendo minhas, serão essencialmente dirigidas ao autor das palavras que trago.
Aah, as "setinhas" são minhas, proposta de logo temporário.

Mauro Pires, autor do blog PortugalGate, por onde eu nunca havia passado, hoje deixou o post que abaixo publico e onde lhe escrevi assim:


Mauro, muito obrigada pelas suas palavras.

Estava agora mesmo por aqui a pensar que, dois dias após as autárquicas, o ódio que tem vindo a ser destilado conta Passos Coelho, pela esquerda, pela direita e pelos às riscas com pintinhas, é uma demonstração de raiva de quem é pequenino na alma e na capacidade de análise. Não é uma questão partidária - quero lá saber dos partidos - é uma incapacidade de ver além do próprio umbigo que gera umas coisas parecidas com ideias; percebo que não se goste de alguém, por boas ou insignificantes razões, já a necessidade de vociferar o que vai na bílis como se se atacasse um pérfido criminoso revela mais sobre quem odeia do que seria desejável para o atacante.
 Bem haja.

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"O PSD não merece Passos Coelho"

«Falo como cidadão e como apartidário. Detesto partidos, da esquerda à direita, mas por pragmatismo tenho que votar no socialista  menor. No meio de tanto pântano de pândegos sobressai um Homem, sim com H grande, que aprendi a gostar nos últimos 7 anos. Parecia um boy, não percebia nada disto, era só mais um para a festa. Enganei-me com o tempo, o Pedro Passos Coelho mostrou-se completamente diferente dos outros, até dentro do seu próprio partido só existem anões, também é para ti Mini Mendes, que não lhe chegam aos calcanhares. Tem muitos, imensos e caciques de defeitos, mas há uma coisa que não se lhe pode retirar: Frontalidade, Hombridade, Frieza e o seu modo lúcido de ver o panorama contextual do estado de coisas.
Não é liberal, ou se calhar, até é! Pragmático quanto baste. Acima de tudo decente. Se Passos sair, a ala social democrata do PSD vai inundar o partido outra vez, o PSD não será um partido com resquícios liberais mas sim um Partido charneira do Partido da bancarrota. O PSD não é um Partido já faz anos, é uma manta de retalhos de barões e egos que querem o tacho, a máquina o PODER. Passos Coelho cortou com o PSD bafiento e socialista, mas não o matou. Eles vagueiam na comunicação social, vagueiam como convidados de uma comunicação podre com trela do Babush de Lisboa, eles tem todos a cartilha bem estudada até ao ínfimo pormenor e todos, na noite eleitoral, disseram o mesmo da esquerda à “direita”:” Passos Coelho está morto”. Espera lá?! Mas ele já não estava morto na semana passada, em 2015 e até há 8 anos atrás? Porque se bate na treta de um defunto? Que efeito prático isso têm?
O Portugal dos anos 80 de Sá Carneiro e Cavaco é hoje muito diferente. É um País muito mais envelhecido, com medo do futuro, conservador na mudança estrutural que o País precisa. É o ambiente excelente para partidos, actualmente social-comunistas, como o PS, florescerem. Como dizia Medina Carreira, o maior Partido Português não é o PSD ou o PS, é o Partido do Estado. O PS tem o Partido do Estado na mão, faz dele o que quer, é dono e senhor do regime oligárquico que o PSD muitas vezes tem que socorrer.
Pedro Passos Coelho tem uma missão, salvar o País dos rentistas e reformar o País, mesmo que não tenha feito tudo que tinha preconizado. O PSD dos barões quer colocar Passos fora, mas quem manda são os militantes do Partido e as bases e estes estão com Passos. Se o Presidente do PSD quiser ficar tem reeleição garantida e o PSD tem um trunfo, tem um candidato decente. Se Passos sai, o seu sucessor terá uma herança pesada e comparações normais, além disso vai ser daqueles bonecos pirómanos em que a cabeça vai para cima e para baixo, é como sorrir e acenar, mas de modo mais chique.
Se Passos fundar um partido qualquer, seja ele qual for, falo por mim, voto nele. Voto na decência, na seriedade e na frontalidade do que deve ser feito. Se o próprio Partido de interesses não o quer, o País profundo quer como se viu há 2 anos atrás. O derrotado não é Passos Coelho, os derrotados são todos os canhotos caviares que falam dele todos os dias e que nem as cuecas lavam de tão borrados que estão (desculpem a frontalidade). Se ele continua a meter medo, porquê é que Passos tem que sair? Foi ele que perdeu as eleições de 2015? O camarada Seguro não ganhou em 2013 e não foi apunhalado? Costa vai sofrer as consequências do lirismo, com a derrota do PCP, Jerónimo passado 1 milhão disse que perdeu, vai colocar a CGTP nas ruas, será o fim do Estado de graça de António Costa.
Caro Pedro Passos, fica! Tens pipocas?»
Mauro Pires

MAKE AMERICA WHAT???


Trump:
«People in that rally, and I mean the night before, they were people protesting very quietly the taking down of the statue of Robert E. Lee»

People protesting very quietly:
«Jews - will not - replace us.
Blood and soil
... / ... »

Trump:
«You had many people in that group, other than neo-nazies and white nationalists ok? And the press has treated them absolutely unfairly. Now, in the other group, also, you had some fine people but you also had trouble makers and you see them come with the black outfits and with the helmets and the baseball bats, You had a lot of bad people in the other group»



De acordo com Trump, havia muito boa gente (very fine people) misturada com os neo-nazis, os supremacistas e os ku-klux-klan... Será?
Obviamente, nem todos, provavelmente bastante menos de metade dos apoiantes de Trump, olharão com bons olhos aquela cáfila que desfilou em Charllotesville; O próprio partido republicano, pela voz de inúmeros partidários, condenou inequivocamente essa aberração, mas a questão não é essa, não é todo partidária ou mesmo de grupo eleitoral.

Claro que há boa gente entre os eleitores de Trump o que me pergunto é se será "boa gente" aquela que não se importa de se misturar com quem vai para uma manifestação onde esvoaçam bandeiras nazis, onde há milícias com armas automáticas, onde se atacam os contra-manifestantes à paulada, onde se grita "sangue e solo" e outros mimos. Por que não dar meia volta e dizer "Isto não é o que quero, isto é profundamente errado". Uma manifestação onde por fim um carro acelera para cima de um magote de contra-manifestantes. Ou isto só é inequivocamente condenável quando um jihadista o faz em Londres?

A questão surge a montante nos princípios, na moralidade, na solidariedade humana, nos direitos civis e mesmo, para aqueles que integram a Igreja Cristã - sejam católicos, protestantes, evangelistas ou outros - a questão tem de ser colocada sob a perspectiva do respeito e defesa da alma humana.
Boas pessoas? Boas pessoas têm uma noção firme da diferença entre Bem e Mal, certo e errado. Boas Pessoas traçam limites e e permanecem dentro deles, não comprometem princípios. Há um limite para além do qual temos a noção de que estaremos a prevaricar, a pecar, a agir de forma que sabemos ser condenável. Passado esse limite não há boas pessoas.

"Estamos aqui para matá-los se for preciso " - Ouvi esses trastes berrar, vestidos com camuflados, armados até aos dentes.

Uma pessoa com 32 anos foi assassinada; 19 pessoas foram hospitalizadas, isto apenas num atropelamento intencional.

Um jovem isolado espancado à entrada de um parque de estacionamento por um grupo de corajosos herois; está vivo porque os amigos deram pela sua falta e foram resgata-lo.
Não é o filho de nenhum de nós...



Independentemente da tragédia, se possível, há nesta história aspectos mais chocantes do que facilmente verbalizáveis:
Como é possível ver numa mesma turba a bandeira dos Estados Unidos (não me refiro à da Confederação mas sim à dos EUA) empunhada ao lado de uma bandeira com a suástica? Não encontro forma de que faça sentido sem reverter para a absoluta ignorância histórica e cultural. Os americanos atravessaram o Atlântico para derrotar os nazis. E hoje, na Alemanha, são proibidas as suásticas.

Quanto a Trump não há surpresas, vou evitando dedicar o meu tempo e palavreado ao sujeito porque é sempre mais do mesmo e torna-se óbvio  que está a endoidecer, a perder o controlo, a não conseguir lidar com tanta Trumpa que faz.


De regresso à Trump Tower - pela primeira vez desde que foi empossado - nos domínios da torre do seu castelo dourado, a fera sentiu-se no seu território; enraivecido por o "obrigarem" a dizer o que não queria deu largas à sua revolta, ao seu temperamento irado e vociferou o que bem lhe apeteceu perante a estupefacção do pessoal da Casa Branca: "Foi tudo ele, não era nada disto que estava alinhado", disse alguém da equipe da W.H. Assim seja, e que se repita, que se deixe de Trumpices e mostre o vazio de alma repleto de racismo, mentira, materialismo primário, hipocrisia, megalomania, egocentrismo... Como disse, quanto a Trump não há surpresas.
Ninguém obrigou o bicho a ser presidente, era uma ambição requerida pelo seu notabilíssimo percurso de O Melhor e O Maior. Mas agora a coisa é mais complicada, não se resolve com direitos de patrão-quem-manda-aqui-sou-eu. Ajudaria se ele soubesse. E ele não sabe.
O que Trump não sabe, não entende, é que enquanto presidente nunca poderá ser O Melhor e O Maior se não fizer um esforço sincero e evidente para ter em conta os americanos como um todo, brancos, pretos, encarnados, amarelos, azuis às riscas e roxos alilazados. E Trump não o faz, nem pretende, nem tão pouco tem ideia de que tem obrigação de o fazer.
Por mais que o preocupe salvaguardar os que ele considera "americanos de primeira" e o seu eleitorado - o que não é exactamente a mesma coisa - é suposto ele ser presidente dos americanos em toda a sua complexa mistura... E ele não está para isso, não está disposto a respeitar todos em equidade de direitos, era o que faltava.

 "Make America great again" tem um significado muito claro e embutido na mente de Trump mas que tem sido tratado como uma pílula dourada a ser dada a engolir. A conferência de imprensa, ou lá o que foi aquilo que Trump vociferou ontem para as câmaras das televisões do mundo, expôs finalmente o conceito que o golfista da Casa Branca tem do que é fazer a América grande  e o "outra vez" não é de forma alguma supérfluo, muito pelo contrário, refere-se a quando a América era grande e a como se vivia na América.
Sorry Mr. President, game over. Afinal, a quem pertence a América?

A presidência é uma grande chatice, uma trabalheira, seria tudo muito mais simples se, de uma vez por todas todos fizessem tudo o que ele manda fazer, porque ele é que sabe de tudo mais do que todos, em vez de andarem a chafurdar nas suas negociatas, nos seus amigalhaços e naquilo que ele bem entende por certo dizer e fazer. Ora bolas, afinal ELE é o presidente, se isso não lhe confere mais direitos do que aos outros - que não são o presidente - então para que serve o esforço?

FAZ LÁ ESSE JEITO, PÁ

"O PCP entende que o acto eleitoral de domingo, onde participaram “41% dos eleitores”, foi uma “mensagem colectiva de defesa da paz, da democracia” e pede “respeito” pela soberania da Venezuela"
Não comento, obrigar-me-ia ao uso de um tipo de linguagem que não tem cabimento neste blog.

O ministro do Negócios Estrangeiros português diz que Portugal, à semelhança dos seus parceiros europeus, não reconhece a eleição da Assembleia Constituinte mas não se pronuncia sobre a aplicação de sanções ao governo venezuelano. Em comunicado do MNE afirma que "essa questão não foi ainda discutida entre os Estados-membros da UE".

Porém...

Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia, afirmou, no final do encontro mensal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em que Portugal foi representado pelo embaixador Nuno Brito, que o assunto (sanções à Venezuela) foi “abordado no início do encontro” dos vários governantes europeus.

No jornal espanhol "El País" pode ler-se:
 "La Unión como tal no se había pronunciado debido a la resistencia de países como Grecia e inicialmente Portugal, que ha moderado su postura. "Portugal prefere la vía diplomática pero no se opondrá a la decision de la UE", aseguran fuentes diplomáticas lusas entre el temor por la situación del alrededor de medio millón de ciudadanos de origen portugués que residen en el país según Lisboa."
NOTE-SE:  A notícia acima refere-se tão só ao não reconhecimento da legitimidade das eleições na Venezuela e não, ainda, à aplicação de sanções.

Via diplomática? Com aquele ditadorzeco que vê o seu povo sucumbir à fome e à falta de assistência médica para se agarrar a um poder que não lhe é conferido?
Pero no se opondrá... O que é que isto quer dizer? Que faz o jeito à U.E.?
(Claro que faz, olha quem... Entretanto vão marcando uma posição lamentável)

A mim faz-me um jeito considerável ou teria de me pintar de preto, vestir uma burka, coberta de vergonha.

O ESTRANHO CASO DOS NEGÓCIOS SANCIONADOS

2005 - O Sr. Sater
(para não ir mais atrás, esta história começa no final dos anos 80...)

Felix Sater era um imigrante russo que trabalhava para o Bayrock Group, empresa de desenvolvimento e aconselhamento de negócios sediada em Nova Iorque e parceira de Trump em diversos empreendimentos durante mais de uma década.  Sater retornou a Moscovo em 2005 com a ideia fixa de construir uma Trump Tower que comportasse hotel, condomínio e espaço comercial para escritórios. O proprietário do Bayrock Group era o Sr.Tevfik Arif, nascido na Turquia e encarreirado na URSS onde trabalhou para o ministro do Comércio por 17 anos. Em 2010 foi preso na Turquia sob a acusação de dirigir uma cadeia de prostituição e tráfico humano da Rússia e da Ucrânia. A acusação foi retirada.

"During a trip in 2006, Mr. Sater and two of Mr. Trump’s children, Donald Jr. and Ivanka, stayed at the historic Hotel National Moscow opposite the Kremlin, connecting with potential partners over the course of several days."
Mr. Trump continued to work with Mr. Sater even after his role in a huge stock manipulation scheme involving Mafia figures and Russian criminals was revealed; Mr. Sater pleaded guilty and served as a government informant."

Novembro de 2013

Trump foi a Moscovo levar o seu "Miss Universe".
Sob os bons auspícios de Araz Agalarov, anfitrião do grande acontecimento, de Donald Trump  e do Mini-Donald, o oligarca russo da construção é uma espécie de Trump lá do sítio mas, há época, com mais poder e influência política graças às suas estreitas relações com Putin que, nesse mesmo ano, o condecorou com a Ordem de Honra da Federação Russa por serviços prestados ao Estado.

(Oligarca é um tipo que enriqueceu à conta de negócios escuros e corrupção utilizando dinheiro, segredos e favores como meio de influência e poder político)

Já que ali estavam a ver desfilar um excelente grupo de giraças aproveitaram
o ensejo para falar de negócios. A convite dos Agalarov, Trump e Mini-Trump jantaram essa noite com eles e com  Herman Gref, ex-ministro da Economia e actualmente chefe executivo do banco estatal PJSC, : o que era giro era construir um Trump Tower Hotel em Moscovo unindo esforços, e proveitos empresariais.
“I called it my weekend in Moscow,” - Mr. Trump said of his 2013 trip to Moscow during a September 2015 interview on “The Hugh Hewitt Show.”-  He added: “I was with the top-level people, both oligarchs and generals, and top of the government people. I can’t go further than that, but I will tell you that I met the top people, and the relationship was extraordinary.”

Junho de 2013 - O Maxi-Trump, o Mini-Agalarov e o seu agente, Rob Goldstone - o bronco que escreveu coisas que não devem ser escritas nos e-mails para o Mini-Donald - encontraram-se em Las Vegas e fizeram uma jantarada. 
Sim, o tal Rob Goldstone que o Maxi-Trump não conhece.




Fevereiro de 2014 - O Mini-Donald volta, uma vez mais, a Moscovo para assinar a Carta de Intenções de construção da Trump Tower ficando responsável pelo empreendimento.
(A partir de 2008 em apenas 18 meses deslocou-se a Moscovo 6 vezes. Só pode ser amor)

Depois foi a vez de  Ivanka ir a Moscovo ver a vistas em que se poderia plantar a Trump Tower; o Mini-Agalarov acompanhou-a na busca.

Um mês mais tarde  Ivanka reencontra-se com Emin, o Mini-Agalarov, na companhia do Maxi-Trump; a avaliar pelas roupinhas não estariam em Moscovo.




Finalmente a coisa parecia estar bem encaminhada...
Aaahhh mas o diabo tece-as. Sim, o diabo...

A 24 de Fevereiro de 2014 as forças especiais russas desembarcam  na Crimeia. Posteriormente a Rússia invade a Ucrânia por via terrestre tomando a região de Donbas,  Donetske  e Lugansk.
Nos primeiros dias de Março foram impostas as primeiras sanções económicas à Rússia; outras se seguiram e foram agravadas em 2015

Dá-se uma drástica queda do rublo; o petróleo russo está pelas ruas da amargura, a instabilidade económica compromete grandes empreendimentos imobiliários e, pior um pouco, se realizados em parceria com empresas norte-americanas restringidas pelas sanções.

Isto das sanções foi uma grande chatice...
Não admira, digo eu, que Trump tanto tenha considerado o levantamento das sanções, antes e logo após ter sido eleito. Não pôde ser... Deu muito nas vistas.
Também não será de estranhar que a tal advogada que apareceu na Trump Tower em Junho de 2016, em plena campanha, viesse com a conversa de ser uma activista anti-sanções, anti-Magnitsky Act.
Mas já la vamos, há uns pormenores antes de chegar aí.

Junho de 2016

No dia 3 o Mini-Donald recebeu o primeiro e-mail - conhecido até agora - do Bronco-Goldstone (os sublinhados são colocados por mim) :

On Jun 3, 2016, at 10:36 AM, Rob Goldstone wrote:
Good morning
Emin just called and asked me to contact you with something very interesting.
The Crown prosecutor of Russia met with his father Aras this morning and in their meeting offered to provide the Trump campaign with some official documents and information that would incriminate Hillary and her dealings with Russia and would be very useful to your father.
This is obviously very high level and sensitive information but is part of Russia and its government's support for Mr. Trump - helped along by Aras and Emin.
What do you think is the best way to handle this information and would you be able to speak to Emin about it directly?
Rob Goldstone
------------------------------------------
On Jun 3, 2016, at 10:52 AM, Donald Trump Jr. wrote:
Thanks Rob I appreciate that. I am on the road at the moment but perhaps I just speak to Emin first. Seems we have some time and if it's what you say I love it especially later in the summer. Could we do a call first thing next week when I am back?
Don
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Segue-se uma troca de mensagens com pouco interesse no dia 6 - disponiveis AQUI - conjuntamente com todos (?) os e-mails que o Mini-Trump publicou...

On Jun 7, 2016, at 4:20 PM, Rob Goldstone wrote:
Don
Hope all is well
Emin asked that I schedule a meeting with you and The Russian government attorney who is flying over from Moscow for this Thursday.
Rob Goldstone
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On Jun 7, 2016, at 5:16 PM, Donald Trump Jr. wrote:
How about 3 at our offices? Thanks rob appreciate you helping set it up.
D
On Jun 7, 2016, at 5:19 PM, Rob Goldstone wrote:
Perfect won't sit in on the meeting, but will bring them at 3pm and introduce you etc.
I will send the names of the two people meeting with you for security when I have them later today.
Rob
On Jun 7, 2016, at 18:14, Donald Trump Jr. wrote:
Great. It will likely be Paul Manafort (campaign boss) my brother in law and me, 725 Fifth Ave 25th floor.
From: Rob Goldstone
Sent: Wednesday June 08, 2016 10:34 AM
To: Donald Trump Jr.
Subject: Re: Russia - Clinton - private and confidential
Good morning
Would it be possible to move tomorrow meeting to 4pm as the Russian attorney is in court until 3 i was just informed.
Rob
_______________________________________________
Sobre o conteúdo dos e-mails nem vale a pena perder tempo; levanta questões de ética e patriotismo que, é mais do que provado, são totalmente alheias à família Trump, ao mundo em que se movimenta e às gentes com quem se relaciona com maior proximidade.

No entanto outra questão alerta para a mais do que provável possibilidade de nada disto ser novidade para eles nessa altura, ninguém é assim tão parvo, nem mesmo o Mini-Trump que aliás não estava nisto sozinho. Quando lêem:

"This is obviously very high level and sensitive information but is part of Russia and its government's support for Mr. Trump" (1ª mensagem dia 3)

Não ocorreu a ninguém perguntar "Por que está o governo russo a apoiar o meu pai? O que desejam? Só tendo estas informações poderei marcar, ou não, uma reunião"
Nada disto, apenas um entusiástico e imediato (20 min. depois)
if it's what you say I love it "

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Adiante... Vamos começar pelo fim que é muitas vezes um bom princípio:

O QUE É QUE A "RUSSIAN ATTORNEY" ESTAVA A FAZER NO TRIBUNAL EM NOVA IORQUE ATÉ ÀS 3 DA TARDE?

E antes,

O QUE É O MAGNITSKY ACT? QUEM É SERGEI MAGNITSKY?

SERGEI MAGNITSKY era um auditor nascido na Ucrânia, com escritório em Moscovo - na "Hermitage Capital Management", sediada em Londres e pertencente a Bill Browder - que teve o azar de descobrir uma enorme fraude fiscal levada a cabo por figuras de Estado, donos de corporações empresariais, juízes e policias russos que, até onde ele conseguiu chegar, haviam roubado ao Estado russo 230 milhões de dólares US.

Comunicou esta fraude às autoridades e, acto continuo, foi acusado de evasão fiscal. Sob esta acusação foi preso em Novembro de 2008 e em Novembro de 2009, com apenas 37 anos, morreu na prisão após uma falha cardíaca e choque tóxico devido a uma pancreatite não tratada. Não restam dúvidas de que foi torturado e espancado ao longo do período em que esteve preso Magnitsky foi processado a título póstumo e teve como defesa Nikolai Gorokhov, advogado da família. Daqui a umas linhas voltarei a falar de Gorokhov, homem muitíssimo incomodativo.

Bill Browder, activista de direitos humanos, tem vindo a expor detalhadamente, desde 2005, casos de corrupção dentro do Estado russo aos mais elevados níveis e em 2006 foi considerado uma "ameaça à segurança nacional" ; em 2007 a sua empresa em Moscovo foi invadida por oficiais das forças contra a corrupção e os seus bens foram confiscados, computadores e arquivos inclusive e foi banido da Rússia. Magnitsky trabalhava estreitamente com Browder  e continuou a faze-lo até ser preso em 2008.

Após a morte de Magnitsky, Browder e outros activistas de Direitos Humanos compilaram uma lista de cerca de 60 funcionários de topo do Estado russo, incluindo do governo e ligados ao governo por negócios, A totalidade da lista nunca foi publicamente divulgada.

Em Dezembro de 2012 o Congresso americano aprovou uma lei, Magnitsky Act, que autoriza os E.U.A. a retirarem ou não concederem vistos de qualquer tipo e a congelarem bens e negócios de cidadãos e membros do Estado russo que estejam envolvidos em violações dos Direitos Humanos.

Como retaliação a esta lei Putin proibiu a adopção de crianças russas por cidadãos norte-americanos.
(Cada um retalia como pode, talvez Putin tivesse medo de que os americanos comessem criancinhas ao pequeno-almoço)


Voltando à advogada russa...
Natalia Veselnitskaya estava no tribunal em Nova Iorque em Junho de 2016 porque...


Os 230 milhões de dólares roubados ao Estado russo na fraude descoberta por Magnitsky não foram dólares, claro, foram rublos. Havia que lavar estes patacos. A lavagem foi feita através da compra de imóveis em Manhattan. Daqui resultou um processo judicial à busca e perda de uma série de activos e participações imobiliárias no valor do investimento - 230MD

Estamos de novo em 2013
- Quem foi processado? A Prevezon Holdings, sediada na República de Chipre e registada em Nova Iorque como corporação estrangeira
- Quem processou? O Estado de Nova Iorque na pessoa de Preet Bharara (Fed. U.S.Attorney), reconhecido por ser implacável em casos de corrupção.
Mr. Bharara has been among the highest-profile United States attorneys, with a purview that includes Wall Street and public corruption prosecutions, including of both Democratic and Republican officials and other influential figures. @nytimes.com
O que aconteceu?
Trump tomou posse em Janeiro de 2017 (isto é só um àparte)
A 9 de Março de 2017 Preet Bharara foi convidado a demitir-se juntamente com outros 45 procuradores. Bharara recusou apresentar a demissão; passados poucos dias foi despedido

Um mês depois, em Maio de 2017, foi finalmente dada a sentença. Fez-se a coisa por 6 milhões de dólares, sentença comunicada à "russian attorney" Natalia Veselnitskaya (sim, a visita do Donald Jr. que lutava contra a Magnitsky Act) que foi para Moscovo dizer que tinha tido uma prenda dos U.S.
Por coincidência, na semana entre 20 e 24 de Março, Nikolai Gorokhov, o advogado da família Magnitsky de quem falei mais acima e prometi retomar, seria uma testemunha chave neste processo de fraude conta a Prevezon Holdings pois representava Bill Browder, citado acima, enquanto advogado da sua empresa Hermitage Capital Management. 
Também iria apresentar novas provas de conspitação para assassinato ao tribunal em Moscovo na "investigação" do caso Magnitsky (entre as quais mensagens na "WhatsApp" entre os criminosos) 

Gorokhov não chegou a comparecer a nenhum dos dois julgamentos, na véspera da audiência em Moscovo "caiu" da janela do seu apartamento. 
Foi uma queda mal calculada pois encontra-se a recuperar dos seus múltiplos traumatismos nos cuidados intensivos e não apresenta lesões permanentes. (O plutónio é muito mais eficaz)

Regressando a 2016... 

No dia 9 de Junho Natalia Veselnitskaya estava no tribunal por causa do caso "Estado de Nova Iorque VS Prevezon Holdings. Depois seguiu direita à Trump Tower para a reunião sobre os de supostos "podres de Hillary" com o Mini-Donald, o Jared Kushner e o inefável Paul Manafort. Mas Natália não foi sozinha, o que deve ser grave porque nenhum deles quis falar nisso...

A acompanhar Natalia ia Rinat Akhmetshin, um "lobbyista" russo que serviu no exército sovietico numa unidade de "contra-inteligência" e que diz que nunca recebeu treino de espionagem. (Ou eu não sei o que é "contra-inteligência" ou ele se baldou aos treinos). A Hermitage Capital Management, a já referida empresa de Bowder que compilou a lista de 60 figuras de topo ligadas a corrupção e violação de Direitos descreve-o dizendo:
“Mr Akhmetshin is a former member of the Russian military intelligence services (GRU). He is now based in Washington DC as a lobbyist. He was previously hired by clients with the mandate to generate negative publicity. He was paid by a previous client to derail the US asylum application of a Russian citizen using false allegations of anti-Semitism.”
Vive em Washington e em 2015 a empresa, a International Mineral Resources, apresentou uma queixa em tribunal contra ele acusando-o de ter organizado uma operação de "haking" aos seus arquivos privados como parte de uma campanha de difamação (BBC)
The Russian-American was overheard in a coffee shop bragging about arranging the cyber-attack on the firm's computer system, according to court documents. He is a registered lobbyist who has focused in recent years on overturning the 2012 US Magnitsky Act
1ª pág. - clicar p/ aumentar "Open in new tab"
Para além deste bom rapaz e da Srª advogada estavam presentes o imprescindível Ron Goldstone, um representante dos Agalarov (por alma de quem?) e um tradutor.

Onde estão os e-mails que, no dia 7, Goldstone, disse que enviaria com os nomes dos presentes à reunião para serem comunicados à segurança da Trump Tower? E, se faltam esses, faltarão mais? E porquê?

A verdade é que, até agora, ninguém sabe o que foi tratado nessa reunião escondida por todos, em particular por Jared Kushner quando teve de comunicar pela primeira vez ao FBI os contactos que havia tido com cidadãos estrangeiros; e pela segunda vez, quando se lembrou de repente que falou com o embaixador russo várias vezes e com o CEO do Vnesheconombank. Só se lhe avivou a memória quando o seu pessoal na W.H. descobriu os malfadados e-mails.

Não há almoços de borla, muito menos na Trump Tower.
Qual era o quid pro quo ? "Toma lá os e-mails, o haking do DNC e levantas o Magnitsky Act?".
E onde iria parar a troca de favorzinhos?
E tendo os russos segredos sobre os Clinton não os terão sobre os Trump? Ora...

Pode um candidato a Chefe de Estado estabelecer um  quid pro quo destes com um outro Estado, nomeadamente com um país hostil? 
Poder pode... E um presidente?

O que é verdade, verdadíssima, é que esta reunião ficou assente no dia 7 de Junho de 2016 e nesse mesmo dia 7, 3h depois, o Presidente dos E.U.A., que nunca soube de nada até ao dia 11 ou 12 de deste mês, falava assim , palavra por palavra:

"I'm going to give a major speech on, probably monday next week, and we gonna be disgusting all the things that've taken place with the Clintons. I think you're gonna find it very informative and very interesting"



Costuma-se dizer "Venha o diabo e escolha". Obviamente o diabo escolheu.

Esta é apenas a longa história que desembocou na fatídica reunião de 9 de Junho de 2016.
Faltam as outras, as muitas outras...
Paul Manafort, Michael Flynn, Jeff Sessions, Roger Stone, Rex Tillerson, Carter Paige, Wilbur Ross, J.D.Gordon, Michael Caputo, Rick Gates, Marck Kasovitz, Michael Cohen, Eric Prince... Só para falar de cidadãos americanos, só para falar do "Trump Team, deixando a família e os seus amigos, de fora.

P.F. VISTAM-LHE O CASACO BRANCO DAS FIVELAS

Que Trump bate mal, muito mal, é do conhecimento público.
Que Trump é um mentiroso compulsivo é inegável
(More than 100 days of Trump's lies - The NewTimes)
 https://docs.google.com/document/d/1Q8_ju04USjjQAdy7SidT_1miLRUkBeuVLv2ojYclRzg/edit?usp=sharing
Que Trump arranja problemas, sobretudo a si próprio, a quem trabalha para e com ele, quase todos os dias, é uma questão exposta nos noticiários quotidianos
Que Trump é um tipo arrogante e ignorante com uma noção vaga, mesmo muito vaga, da realidade global, que seria suposto liderar, é obvio para quem levante apenas uma orelha para o ouvir

Aqui para nós que ninguém nos ouve, à parte os cerca 38% dos norte-americanos que ainda apoiam Trump, e talvez alguma daquela gente estranha que milita pela Le Pen, o Farage e mais um ou outro dos seus primos europeus,
há alguém que tenha dúvidas de que o loiro tem de ser interditado?

Para quem tenha, ainda, alguma dúvida recondita abrigada no seu neurónio, recomendo uma profunda meditação sobre publicação de hoje, 2 de Julho, que o Donald fez no Twitter; não apenas o Donald mas também o presidente dos EUA, vulgo, o líder do ocidente.
I rest my case.


O vídeo abaixo foi publicado
no Twitter de Trump - @realDonaldTrump 
E
no do presidente dos EUA - @POTUS
(como é do conhecimento geral são as iniciais de "PresidentOfTheUnitedStates)



.

OS BONS PRINCÍPOS DO FIM

Como se vence a guerra contra o inexistente Estado Islâmico (ISIS -  Islamic State of Iraq and Syria)  ?

Enquanto continuam as prolongadas batalhas no terreno e vão caindo, uma após outra, as cidades ocupadas onde a desenfreada vontade dos cabecilhas da ISIS  é a lei, chegou-se por fim a Mosul e a Raqqa, "capitais" do horror. Não é o fim à vista, longe disso; é um enorme progresso, são significativos golpes de derrota territorial, económica, desprestigiante e incapacitante sobre a "cabeça do polvo", mas não representam a guerra próxima do seu término. É uma etapa, importante, mas não mais.
Como baratas tontas os guerrilheiros da ISIS fogem para outras paragens; reorganizam-se na Líbia, na Nigéria e países vizinhos, ganham força nas Filipinas e regressam aos seus países de origem na Europa e não só. Apelam ao "matem e esfolem" por todos os meios ao alcance de qualquer um.

Como se vence isto?
No terreno, sim, tem estado a ser feito, eficazmente. Com informação partilhada e comunicação. Sim, tem estado a ser feito. Com vigilância - física e cibernética - e policiamento; mal de nós se não estivesse a ser feito, felizmente não sonhamos com os planos e as tentativas fracassadas que nos passam ao lado.
Cortando os meios de financiamento. Pois... mais complicado, quando os interesses divergem e valore$ altos se levantam; Lá chegaremos.

Vencer é uma guerra difícil, longa e perseverante.
E mais? Como não nos deixamos vencer?
Como permanecemos fieis ao que acreditamos, à forma como desejamos viver, aos nossos princípios de vida?

Não, Srª May, não vale a pena fazer cara de má, em véspera de eleições, e com ar convicto proferir que "Enough is enough". Não se vence o terrorismo por decreto. infelizmente. Nem com qualquer "Travel ban" careca de falhas para terrorista morrer de riso.
Se um tarado souber mexer em explosivos e os tiver à mão vai matar indiscriminadamente. Se atirar um qualquer veículo para cima de pessoas ninguém o consegue impedir. Se pegar na faca de trinchar e resolver cortar gargantas vai conseguir fazê-lo.
Matar, espalhar medo, dividir, criar clivagens, ódios, radicalizar. Mudar a forma de vida no mundo ocidental, violar a liberdade de movimentos quotidiana, minar a democracia nos seus pilares. É esta guerrilha aterrorizante e ameaçadora que cada um de nós, uns mais do que outros mas todos nós, temos de enfrentar.

Estamos à beira de ser reféns do terrorismo, vencidos pelo medo e pela necessidade de auto-protecção.

Estaremos?

Serão hoje já poucos os que se lembram, e não muitos os que sabem,  como se
comportou o povo britânico durante as Guerras Mundiais, em particular durante a Segunda Grande Guerra. É verdade que não foram apenas os britânicos mas são estes que, muito justamente, se buscam para exemplo.

W W II, 24th Feb.1944, London, , After bombed out during the night raid on London, these cheerful Londoners give the 'V' sign as they sit on a pile of salvaged bedding
Sob os bombardeamentos alemães os britânicos não perderam a fleuma, nunca deixaram de fazer as suas vidas "normais" dentro da medida que lhes era possível, nunca deixaram de ir trabalhar, nem de ir ao "pub", nem mesmo ao teatro. Isto foi assim por toda a Grã-Bretanha, muito especialmente em Londres. Aquele ar de bull-dog do Sr.Churchill, de quem fila e não larga, terá certamente contribuído uma vez aliado ao característico e inimitável "sentido de dever" britânico.

Ontem sucumbi ao concerto de homenagem às vítimas do atentado de Manchester. Rendi-me totalmente à espantosa coragem das mais de 50.000 pessoas que encheram o estádio. E não eram umas 50.000 pessoas quaisquer. Não eram 50.000 lisboetas que, até hoje, têm estado livres de viver o horror de um atentado terrorista bem sucedido. Eram 50.000 pessoas que há apenas duas semanas mal medidas viram o inferno em seu redor. E creio que posso afirmar com alguma segurança que uns bons 75% destas pessoas eram jovens e crianças. A juventude é incauta mas os seus pais, para quem são a essência da vida, não serão. Não há maior temor do que o que sentimos pela vida e segurança dos nossos filhos.
Estavam lá, 50.000 pessoas a cantar e a chorar, negando a vitória a uns quantos seguidores de uma Sharia feita sob medida que tem por finalidade doentia aterrorizar o mundo para o dominar e transformar.
Estavam lá, 50.000 pessoas, ateias, cristãs, muçulmanas, judias, pretas, brancas e às riscas, que cantaram, choraram, se abraçaram e dançaram com a polícia.

Que grande lição!!!
Se a soubermos compreender, interiorizar e, sobretudo, viver, poderemos afirmar alto e bom som:
"Conhecemos os vossos objectivos e conhecemos o caminho para vos derrotar; não colaboramos convosco"

Uma última palavra.
Sei que não é fácil, sei que exige muita coragem e determinação.
(Claro que tenho medo que o meu filho vá a um concerto num recinto cheio de gente. Mas vai) 
Não sou ingénua nem me vejo a engrossar as fileiras dos filósofos do "Peace and Love".
A Paz é um bem inestimável a preservar com o maior empenho mas não a qualquer preço. E, para mal dos nossos pecados, o Amor não vence tudo, nem perto. No entanto também não tenho qualquer dúvida de que a cedência ao medo, ao ódio e à vingança nos afundará neste abismo que quotidianamente nos espreita.

Poética mas corajosamente: "Don't look back in anger"


MR TRUMP, O FEUDALISMO JÁ NÃO É O QUE ERA




United States Climate Alliance

The United States Climate Alliance comprises a group of states in the United States committed to upholding the 2015 Paris Agreement on climate change within their borders. It was formed on June 1, 2017, by three state governors  WashingtonNew York, and  California —after U.S. President Donald Trump announced United States withdrawal from the Paris Agreement. 

In addition, by the evening of June 1, 2017, the state governors of seven other U.S. states had agreed to maintain their states' support for the Paris Agreement. Nearly 70 percent of Americans, including a majority of people in all 50 states, support the Paris Agreement on climate change.

On June 2, 2017, the announced Governor of Connecticut  announced 

that the state would join the United States Climate Alliance

Update68 “Climate Mayors” representing 38 million Americans have also committed to upholding the goals of the Paris Agreement.  These include the non-CA/NY mayors of Boston, Houston, Chicago, Seattle, Atlanta, and many other large cities.  One notable city joining the pact is Pittsburgh – in Mr. Trump’s speech, he noted that he was elected to represent “the citizens of Pittsburgh, not Paris.”  Pittsburgh, however, apparently wishes to remain in the Agreement. Also, the governors of Massachusetts, Oregon, Colorado, Hawaii, Connecticut, Minnesota, Virginia and Rhode Island have all proclaimed continued support for the Agreement.


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RELAÇIONADO:


Michael Bloomberg Offers $15 Million to Make Up for Washington’s Share of the Paris Accord Costs

http://fortune.com/2017/06/02/bloomberg-trump-paris-agreement-funding-un/

Bloomberg founder and CEO Michael Bloomberg has offered to make up the $15 million in funding that the United Nations stands to lose from U.S. President Donald Trump's decision to pull out of the Paris Climate Agreement.


Under the historic agreement, the U.S. would have been expected to contribute that amount to the operating budget of the United Nations Framework Convention on Climate Change, the accord’s coordinating agency.